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Liberdade para Trabalhar

Crunch, uma prática danosa, mas que em hipótese alguma deve ser proibida

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Crunch, em tradução literal significa algo como triturar, mas também, é uma onomatopeia no inglês que representa um ranger de dentes muito forte, que, por extensão, é usado para designar que uma empresa leva a pessoa a trabalhar exaustivamente, o problema é que quem se submete a essa prática constantemente acaba tendo sua saúde deteriorada e perde parte considerável da sua produtividade.

Sua prática é muito comum nos estágios finais de produção de obras de entretenimento interativo, ou jogos, pois as empresas se comprometem a entregar o produto em uma data predefinida, visto que na cadeia produtiva, o jogo não está pronto ainda para ser distribuído.

Mesmo quando chega na fase Gold (fase em que a primeira versão de lançamento é concluída), ainda devem ser feitas as cópias para distribuição, ou a loja virtual deve autorizar o conteúdo, mais a documentação que deve ser concluída, o que se mostra uma cadeia de produção relativamente complexa.

O uso excessivo

Contudo, o uso da prática, se excessivo, se mostra muito pouco sadio para o crescimento de qualquer empresa na área de entretenimento, visto que os funcionários acabam desenvolvendo uma série de síndromes e comportamentos anômalos, como a síndrome de Burnout, onde a pessoa passa a negligenciar necessidades básicas do corpo e da mente, como comer, dormir, sair com amigos, relações sexuais.

Isso acaba gerando uma série de doenças, como a depressão, ansiedade e assim por diante. Com isso, trazendo consequências de enfermidades secundárias associadas, como: obesidade, problemas cardíacos e outros.

Limite de horas

Muitas pessoas ao saberem dessa prática, desejam pedir ao Estado que regule o número de horas que uma pessoa pode trabalhar, ou impor punições às que descumprirem suas regras, um reflexo da mentalidade estatista, em que o trabalhador deve ser protegido das empresas cruéis que querem sugar cada gota laboral do pobre proletário.

O problema é que os entes que eventualmente desejem, e aparecerão, o farão de modo que as empresas não possam contratar novo pessoal, ou introduzirão inúmeras medidas impeditivas de modo a liquidar os concorrentes e reservarem o mercado para si, onde poderão fazer essas mesmas práticas, já que nesse processo, seus concorrentes já terão sido exterminados e não haverá a quem recorrer, visto que essas corporações controlam o Estado, impedindo a entrada de novos fornecedores.

A força do estado para esmagar novos empreendedores

Desse modo, a abordagem do parágrafo acima se mostra completamente totalitária e coativa, visto que a força do Estado será usada para esmagar os novos empreendedores.

Um paralelo interessante é com o uso de drogas, que é prejudicial à pessoa, mas esta deve ter o direito de escolher se vai assumir o risco de usar uma droga, mesmo que fique doente, e adendo, se esta vier a ficar enfermo, deverá custear os tratamentos através de seus próprios recursos ou de terceiros que voluntariamente os disponibilizem.

Uma tendência que ocorre em negociações espontâneas e distribuídas é que práticas boas tendem a ser mantidas ou amplificadas, e as decisões ruins tendem a serem rejeitadas, apesar disso, para esses resultados aparecerem levam tempo, o sistema não reage às mudanças instantaneamente, e até lá, problemas ocorrerão, entretanto, a mensagem que algo deu errado deve ser passada pelo livre mercado para que esta possa ser corrigida.

Gratificações

Aliás, outro ponto sobre o crunch é que muitas vezes os funcionários se colocam nas situações de trabalho desproporcionais, onde lhes é prometido um conjunto de gratificações assim que o projeto for entregue, o que os motivam à, livremente, trabalharem nas condições descritas acimas.

Dito isso, cada funcionário pesa como vai ser seu trabalho, mesmo que haja pressão dos superiores, este ainda pode sair da empresa, negociar uma carga menor ou qualquer outro tipo de negociação.

O problema é que algumas empresas não cumprem suas promessas e deixam os funcionários na mão depois do estágio Gold, essa atitude sim caracteriza uma violação da ética, visto que é uma desonra de acordo, eventualmente este acordo pode não estar escrito, mesmo assim, a atitude de desonrar um acordo é uma agressão à propriedade, uma vez que uma parte da troca não foi cumprida, o que a torna ilegítima e passível de ser solucionada em um sistema de justiça, preferencialmente privado, uma vez que o estatal é coativo, por isso, de qualidade deplorável.

Uma maneira para resolver esse problema seria um contrato escrito descrevendo os termos e as recompensas pelo serviço, que serviria como um documento para comprovar as condições da parte, no caso do acordo.

O caso da Naughty Dog

Um exemplo de caso negativo interessante sobre crunch é o da Naughty Dog, em que a empresa sofre seriamente com o abuso dessa prática, em que há vários impeditivos para que as pessoas encerrem seus expedientes diários, fato esse que levou a empresa a ter uma rotatividade de funcionários muito alta.

Em uma empresa com um nível de complexidade tão alto, como um estúdio de jogos, essa rotatividade alta significa dinheiro e tempo de produção perdidos.

Com essa situação, uma desenvolvedora operando em livre concorrência não consegue manter práticas como o crunch por muito tempo, visto que funcionários passam a ficar insatisfeitos e migram para outras empresas em que as condições são, no mínimo, menos hostis, e força a empresa a resolver o problema o mais rápido possível.

A prática de crunch é algo muito danoso ao seu organismo a longo prazo, entretanto você deve ter o direito de escolher em quais condições vai trabalhar e sem a intervenção de terceiros desautorizados sobre suas decisões, uma vez que ninguém conhece melhor suas necessidades que você, e caso eventualmente conheça, empreenderá, ou seja, obtendo seu dinheiro de forma voluntária, nunca coativamente.

Por último, algo que fica bem nítido é que gerentes de empresas tendem a amplificar boas relações empregatícias, dessa maneira o mercado consegue definir como será o melhor direcionamento dos recursos escassos disponíveis.


Este artigo não necessariamente representa a opinião do SFLB. O SFLB tem o compromisso de ampliar as discussões sobre a liberdade, representando uma miríade de opiniões. Se você é um estudante interessado em apresentar sua perspectiva neste blog, envie um email para [email protected] ou [email protected]

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