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Livre Iniciativa E Responsabilidade Moral

Você pode apoiar questões sociais e Estado mínimo ao mesmo tempo

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O momento de polarização política vivenciado pelo Brasil separou os grupos em bolhas. Uma vez definido o posicionamento, tudo o que o contraria é ignorado, criticado e descartado. A assimilação das ideias dificilmente é atingida e o debate político caminha para o isolamento dos grupos em seus próprios pensamentos.

Isso, por um lado, mostra o engajamento da sociedade com a vida política, algo importante em uma democracia. Por outro, deixa evidente que o debate maduro da política pode estar sujeito à um empobrecimento expressivo de sua qualidade.

Mas, não venho discutir o mérito desta questão, o que busco dizer é que essa postura de isolamento intelectual impede que pautas que poderia ser perfeitamente conciliadas não sejam ao menos avaliadas. E a população perde com isso.

Por que não assimilarmos a agenda econômica liberal e a agenda social progressista?

LIBERALISMO E SENSIBILIDADE SOCIAL

O liberalismo político tem como elemento central a defesa dos direitos individuais. A liberdade, vida e propriedade são, segundo John Locke, direitos naturais que os indivíduos carregam em si desde o momento de sua existência, cabendo ao Estado somente a garantia e manutenção deles.

Portanto, a agenda liberal genuína – sendo incoerente o contrário – é completamente aberta para as discussões progressistas que envolvam a garantia da liberdade de um determinado indivíduo (seja liberdade sexual, liberdade afetiva, liberdade religiosa, entre outras).

Uma vez não afetando os mesmos direitos (de forma direta) de terceiros, a teoria liberal nunca irá aceitar o cerceamento das liberdades individuais. 

Dessa forma, a pauta progressista pode ser pautada nos direitos naturais de John Locke. A luta pela igualdade de gênero, pelo fim da discriminação LGBTQI+, fim do racismo e das intolerâncias em geral pode ser conduzida sob a perspectiva de levar a sociedade a compreender que a liberdade de outros indivíduos em sua esfera pessoal não as afeta, portanto não deveria gerar nelas um sentimento negativo.

O que não se admite é a fuga dessa discussão do campo moral para o institucional. Quando isso acontece, há um choque com um princípio fundamental do liberalismo: a isonomia.

O liberal não vê com bons olhos a busca pela equidade sendo transformada em leis, pois isso abriria precedentes para que todos grupos buscassem usar o Estado como ferramenta para adquirir vantagens próprias.

Não podendo ser, cada caso, passível de julgamento de mérito, pois isso geraria subjetividades que, indiretamente, são perigosas para a estabilidade de uma sociedade (vide o texto sobre empatia e instituições).

O LIBERALISMO ECONÔMICO E A SUPERAÇÃO DE PRECONCEITOS

“A grande virtude de um sistema de livre mercado é que ele não se importa de que cor são as pessoas; Não se importa qual é sua religião; Ele só se preocupa se eles podem produzir alguma coisa que você queira comprar. É o sistema mais eficaz que já descobrimos para permitir que as pessoas que odeiam umas às outras possam cooperar e ajudar-se mutuamente.”

Essa frase do grande economista Milton Friedman expressa perfeitamente a relação do livre mercado com a superação dos preconceitos. A agenda econômica liberal pode ser perfeitamente incorporada à pauta social progressista, complementando-a. 

Mas para que isso seja possível, também é necessário superar determinados preconceitos estabelecidos. É uma falácia sem precedentes a ideia do liberalismo econômico como beneficiador somente dos mais ricos.

Diversos dados empíricos mostram exatamente o contrário. A própria literatura da economia, quando analisada de perto, contraria essa visão. Não existe empresário que queira mais concorrência, e a agenda liberal defende exatamente a abertura de mercados e a ausência da interferência estatal nas relações econômicas.

No final das contas, o beneficiado é o próprio indivíduo, pois a menor intervenção permite a alocação mais eficiente dos recursos que impactam, no final, no aumento do bem estar geral da população.

CONCLUSÃO

Existe uma possibilidade de conciliação de pautas entre esses dois grupos. Mas para que isso ocorra de fato, é necessário que se superem estereótipos e preconceitos sem fundamentos estabelecidos. Um amadurecimento no debate político pode levar essas duas ideologias à um consenso, o que seria extremamente benéfico para conter a intolerância política causada pela polarização em que vive o país.

A assimilação das pautas tem como resultante a busca pela emancipação completa do indivíduo não só como protagonista da liberdade social, mas também como protagonista central das relações econômicas. Atingir-se-á, dessa maneira, uma sociedade onde cada um possa encontrar, sem barreiras, sua identidade.


Este artigo não necessariamente representa a opinião do Students For Liberty Brasil (SFLB). O SFLB tem o compromisso de ampliar as discussões sobre a liberdade, representando uma miríade de opiniões. Se você é um estudante interessado em apresentar sua perspectiva neste blog, envie um email para [email protected] ou [email protected].

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