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Economia De Livre Mercado

Economia Nórdica Explicada: A Diferença Entre Capitalismo “Compassivo” e Socialismo

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É verdade que Suécia, Finlândia, Noruega, e Dinamarca atingiram sucesso econômico notável. É falso que alcançaram-no pelo socialismo.

Artigo escrito por David Bruining e publicado originalmente em FEE.org. Tradução por Amanda Vasconcellos.

Capitalismo “compassivo”: um nome melhor para o que os países nórdicos praticam. É certamente verdade que Suécia, Finlândia, Noruega, e Dinamarca atingiram sucesso econômico notável. É certamente falso que alcançaram-no pelo socialismo. Países nórdicos focam em combinar um sistema de livre mercado com diversos programas sociais.

Esse esquema abre espaço para programas como educação gratuita, saúde gratuita, e um programa de aposentadoria garantida para os trabalhadores. Para que isso funcione, os cidadãos precisam depositar uma enorme confiança em seus governantes e formuladores de políticas públicas. A economia, o trabalho, e o bem-estar social precisam funcionar conjuntamente. Formuladores de políticas públicas precisam enfrentar desafios sociais em constante mudança e então encontrar soluções em um processo democrático.

Várias Definições Diferentes de Socialismo

Lugares como Suécia e Noruega reduziram o abismo entre ricos e pobres enquanto ainda preservam os benefícios básicos do socialismo. Esse tipo de modelo capitalista se baseia na destruição criativa, um termo criado por Joseph Schumpeter em 1942:

o processo de mutação industrial que incessantemente revoluciona a estrutura econômica por dentro, incessantemente destruindo a anterior, incessantemente criando uma nova.

Nações nórdicas parecem empregar perfeitamente esse sistema, e progressistas continuam afirmando que isso é socialismo: “Minhas políticas mais se assemelham ao que vemos no Reino Unido, na Noruega, na Suécia”, afirmou a deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez ao jornal 60 Minutes. Mas o que isso significa dentro dos padrões americanos? Podemos aprender algo dessa definição de socialismo? Há muita coisa por trás do modelo nórdico e muito mais motivos para ele ser tão amplamente elogiado.

O capitalismo é um sistema dinâmico, constantemente mudando e evoluindo por conta de oportunidades para lucro e propriedade Isso idealmente se encaixa sem falhas com vários outros sistemas econômicos que evoluem naturalmente – assim como o modelo nórdico. Progressistas gostam de acreditar que os EUA precisam de uma evolução econômica assim. Os pobres estão tão distantes dos ricos que o socialismo – de todas as coisas – é uma necessidade. Os americanos, nos é dito, precisam de igualdade em todos os setores, todos os mercados, e todas as classes.

Modelos Econômicos

Francamente, Schumpeter não tinha um equilíbrio em mente quando filosofou sobre destruição criativa. Em vez disso, ele desejava um paradigma no qual inventores e empreendedores prosperariam, criando um tipo de desequilíbrio que na realidade beneficiaria os constituintes do sistema. Um ideal socialista no qual todos são iguais em todos os aspectos não era o sustentáculo da destruição criativa, nem de nenhum modelo nórdico, nem de nenhuma economia com bom senso. Por que alguém desejaria matar a galinha dos ovos de ouro?

Mas há uma miríade de outras diferenças entre o modelo nórdico e o socialismo. Os benefícios governamentais não criaram a riqueza dessas nações – a riqueza do povo criou os benefícios governamentais.

Em primeiro lugar, o início: as nações nórdicas desenvolveram seu sistema econômico atual após anos de uma economia livre com livre comércio. Elas não seriam nada sem esse fundamento. A riqueza previamente criada permitiu que o governo criasse programas sociais pelo estabelecimento de altos impostos. Nenhum governo deve iniciar com a cobrança excessivamente alta de impostos e esperar que seus cidadãos mantenham o ritmo.

A revista The economist descreve os países nórdicos como “livres comerciantes robustos que resistem à tentação de intervir até mesmo para proteger companhias icônicas”. Isso soa como socialismo? Certamente não. Além disso, tanto a Noruega quanto a Dinamarca são países com maior facilidade de se fazer negócios que os Estados Unidos ou o Brasil, segundo o DoingBusiness.org. Os benefícios governamentais não criaram a riqueza dessas nações – a riqueza do povo criou os benefícios governamentais.

Intervenção Estatal

Em segundo lugar, intervenção estatal: boa parte das leis trabalhistas dos EUA não são encontradas em governos nórdicos. Um salário mínimo estabelecido pelo governo federal não existe em nações nórdicas ou escandinavas – e ainda assim elas sobrevivem! Sindicatos ajudam a definir os salários, mas o governo não se envolve no processo de negociação. Esse sistema descentralizado pode ser defendido como a melhor maneira de fazer as coisas. Empresas são livres para pagar menos por cargos em que poucas habilidades são exigidas (estágios ou programas de trainees) e por trabalhadores com menor habilitação.

Ter um salário mínimo é quase suicida para pequenas empresas. Elas não podem contratar os trabalhadores de que precisam porque não possuem grandes lucros, então essas empresas continuarão pequenas. O salário mínimo dificulta que empresas cresçam. Por exemplo, políticos americanos recentemente impuseram o salário mínimo continental sobre todos os territórios dos EUA, incluindo Samoa Americana. Em Samoa, os maiores empregadores da ilha eram fabricantes de atum enlatado.

Uma vez que o salário mínimo foi imposto, ele destruiu a competição na ilha, as fábricas foram fechadas, e o desemprego explodiu. Samoa não precisava do salário mínimo; políticos simplesmente queriam se sentir bem sobre suas ações sem olhar para as consequências. A falta de envolvimento governamental permite que pessoas sejam pagas de acordo com o valor que geram, não segundo o valor que o Grande Irmão acredita que elas gerem.

Educação

Em terceiro lugar, educação: a economia nórdica é o suprassumo da filosofia de que “um código postal não deveria definir o futuro de uma criança”. Enquanto a educação é gratuita, as escolhas que os cidadãos possuem são impecáveis. Isso pode ser porque ela é extremamente similar ao ponto de vista liberal (definido pelo economista Milton Friedman em seu ensaio de 1955, “O Papel do Governo na Educação”). Governos nórdicos oferecem aos seus cidadãos cupons educacionais semelhantes a vouchers. Esses vouchers podem ser empregados para pagar qualquer tipo de educação, seja em escolas públicas, escolas comunitárias geridas pelo governo, ou escolas privadas.

Segundo o Institute for the Study of Labor, essa privatização da educação “aumentou a performance educacional média tanto ao fim do ensino obrigatório quanto no longo prazo em termos de notas no ensino médio, ingresso na universidade, e anos de educação formal completa”. Essa escolha de escolas beneficia aos cidadãos, às crianças, e ao futuro das nações. Assim como o programa Turning Point USA promove a escolha de escolas, as nações nórdicas e escandinavas também o fazem. Socialistas, todavia, não são aqueles que promovem escolhas livres.

Por fim, a evolução: nações nórdicas nem sempre foram tão progressistas; na realidade, elas estão começando a dar um passo para trás. Até os anos 1950, países nórdicos eram os maiores representantes mundiais de livre mercado e competição. Nos anos 1970, todavia, governos e sistemas regulatórios intensamente sociais foram implementados com alta carga tributária. Todo o crescimento econômico chegou a um triste fim. Por exemplo, o crescimento econômico sueco chegou a ser um por cento menor que o do restante da europa e dois por cento menor que o dos EUA.

Ao fim dos anos 1990, o gasto governamental chegava a 70 por cento do PIB, e a porcentagem do PIB gasta com a dívida atingiu 80%. Mesmo a taxa de desemprego aumentou cinco por cento. Assim que os formuladores de políticas públicas perceberam o erro desse experimento socialista, as coisas mudaram. Em 1991, legislações privatizaram partes da saúde pública, introduziram vouchers educacionais, e cortaram os gastos em programas de bem-estar social que desperdiçavam recursos. Entre 1995 e 2000, a porcentagem do PIB gasta com a dívida foi cortada em 40%, e os cidadãos aumentaram sua renda graças ao novo imposto de 28% sobre a renda.

Inflação e Impostos

Na realidade, aquela carga tributária foi reduzida a 22 por cento em 2013. Então países como a Suécia assumiram uma posição extremamente progressista, perceberam que ela não funcionou, e então retornaram a uma filosofia ainda mais pró-mercado.

Por que fazer os países descobrirem por si mesmos que o socialismo não funciona quando nós podemos simplesmente confiar no experimento sueco? A lição aprendida não é aquela ensinada pela esquerda. Graças à desregulação, a Suécia na verdade excedeu o crescimento econômico em comparação com todos os países Europeus por ao menos um por cento por ano. Isso não é um resultado de progressismo ou socialismo. É o contrário.

Progressistas grosseiramente usam em excesso a comparação das nações nórdicas às socialistas, mas os nórdicos são na verdade um mau exemplo, porque praticam um sistema predominantemente de livre mercado. A única semelhança entre ambos são programas sociais. Para completar com uma provocação, economias nórdicas não se despedaçam completamente – e matam milhões de pessoas em seu caminho rumo ao fundo do poço – como sistemas socialistas fazem.

Então eis o porquê de progressistas alegarem que esse é um produto do socialismo: eles precisam de um bom exemplo. Existem zero bons exemplos de socialismo – em qualquer lugar. Assim que um sistema progressista se aproxima – embora a uma certa distância – de um estado socialista, progressistas tomam o crédito e proclamam que isso é socialismo. Eles precisam de algo, qualquer coisa, para provar seu ponto e provar que socialismo “do nada” funciona. A verdade é: não funciona.

Não Existe “Tamanho Único”

E nações que tentam implementá-lo acabam destruindo qualquer vantagem que possuíam no mundo e retornando a um sistema de liberdade ou sofrendo as consequências. Olhe para a Venezuela: inflação de 1600 por cento, crescimento de -17 por cento do PIB, e previsão de 44 por cento de desemprego para 2020. É a partir de ignorância voluntária que opositores ao capitalismo continuamente propõem esse modelo econômico, mas não conseguem assinalar a diferença entre uma economia fracassada e uma próspera.

O modelo nórdico não é uma sistema com soluções perfeitas. Nem o capitalismo, tampouco o socialismo.

A maior parte das economias se desenvolve, muda, e melhora com o tempo A história é a melhor professora para guiar o processo de evolução. A esquerda não merece levar o crédito pelos glamoures, pelas vitórias, e pelos benefícios de um sistema de livre mercado e denominá-lo socialista. Eles definem modelos nórdicos e escandinavos como progressistas, mas essa não é mais uma discussão semântica.

É uma discussão sobre quando a esquerda vai parar de mentir para as pessoas e fazer o socialismo parecer benéfico. Pessoas jovens em particular são vulneráveis a essa retórica: tudo que é importante para elas é “gratuito” sob o socialismo, graças ao senador Bernie Sanders e a outros como ele. Os jovens não sabem porque não lhes contaram sobre as consequências.

Está na hora de contar a eles sobre a verdade.


Artigo escrito por David Bruining e publicado originalmente em FEE.org sob a licença Creative Commons Attribution 4.0.

Tradução por Amanda Vasconcellos

Este artigo não necessariamente representa a opinião do SFLB. O SFLB tem o compromisso de ampliar as discussões sobre a liberdade, representando uma miríade de opiniões. Se você é um estudante interessado em apresentar sua perspectiva neste blog, envie um email para [email protected] ou [email protected]

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